O Sistema Intra-Uterino (SIU), – ou DIU de Levonorgestrel – comercialmente chamado de Mirena, é um dispositivo a base de progesterona que, inserido no interior da cavidade uterina, vai exercer uma ação hormonal local responsável pelo efeito contraceptivo. Por tratar-se de um método de longa duração, alta eficácia e boa praticidade, o SIU vem sendo cada vez mais utilizado na prática clínica, tanto para fins de anticoncepção como para o tratamento de diversas patologias ginecológicas. Diante do crescente número de mulheres que optam pelo SIU, é natural que apareçam dúvidas e incertezas quanto à sua utilização. Por isso listamos aqui algumas coisas que você precisa saber ao escolher esse método.
O SIU é inserido na cavidade uterina por um médico ginecologista. O procedimento é simples e pode ser realizado no consultório ou no centro cirúrgico sob sedação – a escolha depende do limiar de dor de cada mulher. Para a inserção, a mulher deve estar menstruada, pois no período menstrual o colo uterino fica discretamente dilatado e temos a certeza que ela não está grávida. Para as mulheres que acabaram de ganhar bebê, o ideal é que a inserção seja feita a partir de 40 dias pós parto, e não há contraindicação durante a amamentação.
Sim. Com a liberação do hormônio na cavidade uterina, ocorrem alterações hormonais locais responsáveis por diminuir significativamente o fluxo menstrual, sendo que algumas mulheres simplesmente param de menstruar. É importante lembrar que pequenos sangramentos irregulares (spotting) são frequentes nos primeiros 90 dias de uso.
Como a ação hormonal é preferencialmente local (no próprio útero), a incidência de efeitos colaterais do SIU é baixa quando comparada a outros anticoncepcionais hormonais. No entanto, todo medicamento é passível de reações adversas, e com o SIU não é diferente. Os sintomas mais frequentes relacionados ao uso do Mirena são dor de cabeça e dor abdominal/pélvica. Também são considerados efeitos adversos comuns: acne, aumento de pilificação (crescimento exacerbado e desmoderado de pelos no corpo), enxaqueca e alterações do humor. Algumas pacientes também se queixam de diminuição da libido, embora a correlação desse sintoma não seja tão clara.
O SIU é um método altamente eficaz, sendo que as taxas de falha no primeiro ano de uso chegam a praticamente zero. A porcentagem de mulheres com gravidez indesejada em uso de SIU é 0,2%, contra 0,5% para aquelas que fizeram laqueadura e 0,6% para aquelas que usam DIU de cobre. Ou seja, É MUITO SEGURO.
O SIU tem duração de 5 anos e após esse período deve ser retirado. Havendo o desejo de manter a anticoncepção, outro SIU pode ser imediatamente inserido. Após a remoção, a fertilidade da mulher volta ao normal.
A associação que se faz de anticoncepcional hormonal com o aumento dos índices de trombose, embora que muito baixa, é vista em anticoncepcionais combinados, ou seja, aqueles que contém estrógeno + progesterona. Como o SIU contém progesterona isolada (não tem estrógeno), e além disso tem ação essencialmente local, com pouca absorção sistêmica, não há evidência de relação de SIU com trombose. Ou seja, não aumenta o risco e ainda é uma boa opção para pacientes que tem contraindicação para os anticoncepcionais combinados.
Logo após a inserção, o SIU inicia sua ação para prevenir gravidez. Por isso, é recomendável ficar 24 horas sem ter relações sexuais.
Para finalizar, é importante lembrar que, como todo medicamento, o DIU de Levonorgestrel tem indicações e contraindicações, que devem sempre ser discutidas com seu médico. Cada mulher é de um jeito e não existe anticoncepcional perfeito. O importante é colocar na balança os riscos e benefícios de cada método, e ajustar os seus anseios e necessidades ao melhor anticoncepcional.
Dr. Milena Ribeiro P. Mazurek
Clinica Ser Mulher